Entrevista com Eliane Quintella

Essa é primeira entrevista do blog e para estrear, nossa entrevistada é Eliane Quintella que escreveu o livro maravilhoso "Pacto Secreto" (resenha aqui).



1- Fala um pouquinho mais de você

Eliane: Bom, eu amo escrever. Comecei assim que aprendi e nunca parei. Eu sempre soube que queria ser escritora. Eu acredito mesmo que essa vontade já nasceu comigo. Escrever para mim é sempre um grande prazer. É o amor da minha vida. Desde pequena escrevia poemas e contos e nunca parei. Logo cedo me entristeci quando descobri que não havia uma faculdade na qual eu poderia me formar escritora. Sabia também que grandes artistas que eu admirava tinham se formado em Direito e eu sempre tive um lado idealista. Foi assim que ingressei na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo em 1994 para cursar Direito. Me apaixonei pelas aulas. Aliás, as aulas das ciências humanas em geral sempre me fascinaram. Gostei tanto que, tão logo me formei, já prestei prova para cursar mestrado na mesma Universidade. Passei! Assim, em 1999 já estava fazendo mestrado também em Direito na PUC/SP. Sempre trabalhei com Direito, que é uma das paixões da minha vida, mas eu sabia que não era meu grande amor, que sempre foi escrever. Tive paciência. Esperei a chance ideal para escrever um livro. Escrevi. Segurei a onda, apesar da minha vontade ser de pedir demissão no dia seguinte à conclusão do livro, mas tive calma para refletir a respeito, conseguir publicar o livro e, somente após ter certeza de que era o que eu mais queria fazer, largar minha carreira jurídica para me dedicar somente à escrita. Não fiz isso logo de cara, pois sabia das agruras da vida de escritor e porque Direito, especialmente o Direito utópico que estudamos na faculdade, sempre me encantou. Hoje acredito que tudo aconteceu na hora certa.
A respeito das minhas características pessoais, eu acredito que sou sincera, honesta, sigo minha consciência, vivo conforme minhas próprias regras e convicções, para mim a pior traição é aquela que fazemos contra nós mesmos, sou fiel aos meus verdadeiros amigos, reconheço o mérito de quem merece e o valor de quem merece e acredito que essa seja a verdadeira justiça, sou corajosa, adoro desafios, sou perseverante, não gosto de desistir, desistir para mim é derrota, vou atrás do que quero e acho que sou responsável pelo meu próprio destino. Eu odeio pessoas que culpam aos outros ou às coisas por sua própria infelicidade, acredito que temos nosso destino em nossas mãos e que bancar a vítima da situação somente atrasa nossa própria vida. Meu lema é pare de reclamar e lute. Acho que isso resume um pouco de quem eu sou.

2- No próprio livro fala que você escreve desde criança. Sempre teve apoio dos familiares? 

Eliane:  Minha família sempre me disse que eu escrevia muito bem, mas não foi só ela, eu devo dizer que, ao longo de minha vida eu recebi o mesmo elogio de amigos, professores, chefes e colegas. Porém, apesar de todos esses elogios, eu ainda acredito que a maior incentivadora fui eu mesma, pois partiu de mim a ideia e a vontade de escrever um livro, fui eu quem o escreveu pelas madrugadas e finais de semana, fui eu que resolvi e consegui publicá-lo. E, finalmente, fui eu que larguei minha carreira jurídica para me dedicar de corpo e alma a carreira de escritora, não obstante seus inúmeros obstáculos e conhecidas dificuldades.

3- De onde veio inspiração para escrever Pacto Secreto?

Eliane: Sempre me perguntam isso, sabia? A inspiração eu acredito que tenha vindo da minha infância que foi regada a boas doses de filmes de terror e suspense, os quais eu assistia com meu amado pai. Apesar de ser pouco convencional para uma garota de 7 anos de idade, a verdade é que eu adorava assistir a filmes como: O Retrato de Dorian Gray, A profecia, Um corpo que cai, Janela Indiscreta, Festim Diabólico, entre outros. Também foi meu amado pai quem me cedia seus livros de suspense de escritores renomados como Agatha Christie, Edgar Allan Poe e Leslie Charteris. Agora basta somar toda essa influência maravilhosa com meu amor por ler e escrever que fica claro que eu não poderia escrever uma história diferente de Pacto Secreto. 

4- Como você se sente ao receber crítica (tanto positivas como negaivas) sobre seu livro?

Eliane: Você estuda estatística na escola e é apresentado para a famosa "curva de gauss".
Então, compreende que sempre existe uma maioria, uma minoria em um extremo, e outra em outro extremo. Portanto, matematicamente já era lógico que meu público leitor se comportaria dessa maneira, matematicamente fica claro que é impossível agradar a todos. Eu fico feliz que a minha maioria é formada por pessoas que gostaram do livro, se minha maioria fosse formada por pessoas que gostassem pouco do livro, eu estaria preocupada, mas, felizmente, não é o caso. Além disso, eu acredito que o escritor é como um artista e ele deve ser verdadeiramente livre para criar sua obra. Escrever um livro pensando em querer agradar todo o mundo, além de ser um processo terrivelmente enfadonho, sequer é viável matematicamente. As pessoas são diferentes e essa é a grande beleza. Eu acredito sinceramente que se todos fossem iguais e gostassem das mesmas coisas, o mundo seria cinza e isso não é bom. Há um post no meu blog pessoal no qual falo a respeito disso e que vale a leitura:http://elianequintella.wordpress.com/2011/05/30/245/ . A liberdade para se criar, a liberdade de se expressar, e a liberdade de pensamento, enfim, todas as formas de liberdade são pilares da maior importância que não podem ser subestimados. É essa liberdade fantástica que faz com que eu escreva e pense o que quiser e que você de outro lado tenha sua opinião livre para pensar também o que quiser do que eu escrevi. O importante nesse mundo livre é o respeito mútuo. Você deve me respeitar e eu devo respeitar você.    

5- Como foi a busca por uma editora?

Eliane:  Eu fui a Livraria Cultura (que eu sempre frequento) e anotei o nome de todas Editoras que publicavam livros do mesmo gênero que o meu. Depois disso, eu entrei em contato com cada uma delas para saber se aceitavam originais para análise e qual era o procedimento a ser seguido. Então, para aquelas que responderam positivamente, eu segui rigorosamente o processo solicitado para envio do meu original e aguardei ansiosamente pela resposta. Felizmente, a Ed. Novo Século não demorou muito a responder e fechei rapidamente o contrato com ela.

6- Como vemos no livro há várias passagens bíblicas. Você pesquisou tudo ou teve ajuda?

Eliane: Eu sou uma nerd convicta e todo trabalho de pesquisa foi meu mesmo, pois eu sou fascinada por conhecimento e, além disso, bastante curiosa, assim quando encontro algo que eu não sei, eu vou atrás. E o trabalho de pesquisa é maravilhoso, pois você está pesquisando sobre Pacto com o Diabo, e descobre o satanismo, então, pesquisa a respeito, lê livros a respeito, chega até Lúcifer e resolve também pesquisar sobre esse arquétipo e quer saber o que é luciferianismo, e depois quer conferir a bíblia. Assim, uma coisa leva a outra, é um processo muito natural.


7- Sobre os próximos livros, quando serão publicados? 

Eliane: Ainda não tenho uma resposta, mas quero publicar PRAZER SECRETO no próximo ano 2012. Aliás, você já pode conferir o primeiro capítulo do prazer secreto no blog do meu livro: http://pactosecreto.wordpress.com/um-pedaco-de-prazer-secreto/

8- Está gostando dos comentários que tem ouvido a respeito?

Eliane: Sim, o retorno que eu tenho recebido diretamente dos meus leitores tem sido fantástico.

9- Em algum momento você achou que não seria uma boa ideia escrever sobre um tema que ainda hoje não é tão abordado?

Eliane: Sinceramente, eu não me preocupei com isso nem um pouco. Como eu já disse anteriormente, o escritor é um artista e ele não pode se prender a uma moralidade ultrapassada da sociedade, não pode se prender a tabus, a opinões de seus amigos ou familiares ou ao que quer que seja. Imagine se todos os grandes cientistas, inventores, artistas e revolucionários ficassem preocupados com o fato de estarem fazendo algo novo e diferente e que por conta desse receio arquivassem suas ideias maravilhosas na gaveta. Onde estaríamos hoje? Não tenho dúvida que estaríamos vivendo sem novidades encantadoras em uma sociedade retrógrada e chata.

10- E para matar a curiosidade de todos os leitores, o que faria se fosse Valentina, assinaria ou não o Pacto?

Eliane: Assinaria na hora, é claro, principalmente porque eu sei o que estava sendo escondido da Valentina e ela não!!! Mas eu não assinaria o pacto para ter alguma coisa em troca, assinaria porque sei o que está ainda oculto ao leitor e acho que vale a pena, porém para vocês entenderem o que eu estou falando, vocês terão que ler os três livros da saga. Agora para mim, a ideia de assinar um pacto para ter aquilo que sempre sonhou é resposta para quem não acredita na própria força, no seu próprio potencial, é a resposta dos covardes. Esse tipo de pacto eu não assino. No caso da Valentina, a situação é diferente pois ela não quer solucionar um problema seu ou ter tudo o que sempre sonhou. Valentina quer resolver a angústia de sua irmã Sara, daí o objetivo ser considerado nobre por nossa sociedade por girar em torno do sacrifício. Ao longo da saga, a Valentina compreenderá que carregava a culpa desnecessariamente, que a culpa era um forma de controle e atraso de sua própria vida, que o pacto que assinou não aliviou sua culpa ou seu peso, o que realmente aliviou foi seu novo modo de encarar a vida, mas, de novo, só quem ler a continuação da saga saberá do que estou falando.

Eliane ainda deixou um recadinho para todos nós: Para fechar, eu quero agradecer a você, Lara, pela excelente entrevista. Acredito que você fez algumas perguntas que muitos leitores também gostariam de fazer. Também quero agradecê-la pela parceria maravilhosa e dizer que espero contar com você para toda saga! Para meus leitores verdadeiros, sempre obrigada. Eliane

Em nome do blog eu gostaria de agradecer a Eliane pela atenção e paciência e mais uma vez lhe desejar todo sucesso do mundo! Que seu livro continue sendo um sucesso...
Agora só nos resta esperar por "Prazer Secreto". 




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